Destravando a renovação de contratos das empresas de geração eólica

Por Gisele Queiroz e Marco A. Campos

O mercado de seguros e resseguros para empresas de geração eólica tem enfrentado desafios nas recentes renovações de contratos, e dois fatores são os principais responsáveis por esse cenário. O primeiro está relacionado a diversos problemas de erro de projeto e defeitos em partes e componentes.

As principais causas de ocorrências de sinistros decorrem de: falha mecânica (40%), queda de raio (25%), incêndio (9%) e outros motivos (26%), incluindo curto-circuito.

No Brasil está instalada 5% da capacidade de geração eólica mundial, segundo dados do Global Wind Report 2023. Isso representa 70% da capacidade de toda a América Latina. Com tantos equipamentos instalados, diversos desafios de gestão e manuntenção têm se apresentado.
As falhas mecânicas estão concentradas no sistema de “gearbox” e têm causas como defeito de material, uso de lubrificante inadequado e sobrecarga. O impacto desses eventos tem resultado em franquias obrigatórias mais altas e exclusão de cobertura para danos causados por
erro de projeto e material, o que limita consideravelmente a abrangência da cobertura de seguros contratada.

Além disso, outro fator de preocupação para o mercado são os recentes sinistros relacionados à utilização de baterias, especialmente após perdas consecutivas do Sistema de Armazenamento de Energia (BESS) em 2021 e 2022. Isso levou a recomendações de diversos mercados
para que os clientes passem a instalar sistemas automáticos de supressão de incêndio, tornando isso um pré-requisito para cotação e
aceitação do risco.

Principais mudanças e seus impactos no setor

  • Fabricantes com déficits financeiros e mercados com modelos de equipamentos problemáticos, causando descontinuidade dessas máquinas.
  • Fabricantes novos e iniciantes em mercados pouco conhecidos, sem experiência no setor, oferecendo produtos de baixa qualidade a
    preços mais baixos.
  • Crise no mercado de chips específicos ou de peças devido à escassez global.

A rápida evolução da tecnologia de turbinas eólicas já resulta na comercialização de turbinas onshore de 7MW, o que tornará os mercados ainda mais exigentes na aceitação de seguros para geração eólica. Além disso, o mercado segurador está começando a padronizar aportes
de capacidade com base nos contratos de operação e manutenção (O&M) com os fabricantes.

Dado esse cenário e as condições macroeconômicas globais, o mercado prevê grandes desafios na renovação de apólices de parques eólicos.
O segundo fator que tem impactado a renovação das apólices das empresas de geração eólica é a saída de alguns fabricantes e montadores de equipamentos e componentes do mercado, o que está causando uma retrocessão na indústria.

Essa saída está resultando em um aumento nos preços para a reposição de equipamentos, o que, por sua vez, leva a um aumento nos custos nas renovações devido à necessidade de ajustar o valor em risco segurado. Os custos de aquisição de novos equipamentos têm crescido
em média 20% ao ano.

Portanto, recomenda-se iniciar as negociações de renovação com pelo menos quatro meses de antecedência, a fim de se preparar tecnicamente para as questões e dificuldades do mercado local e internacional.

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